Rei Borges
Brasil
Desde pequeno, a fotografia foi minha forma de expressão. Usava uma câmera Polaroid para captar imagens e mostrar aos meus pais como eu via o mundo. Sendo autista, essa prática me ajudava a traduzir percepções e sentimentos que eram difíceis de explicar em palavras. O desenho também sempre esteve presente, assim como o recorte de imagens, que se tornaram meios de dar forma às minhas ideias.
Com o tempo, descobri que podia expandir essa linguagem através das colagens. Passei a reunir fragmentos de fotografias, papéis e textos, criando composições que refletiam não apenas o que eu via, mas também o que sentia. A colagem se tornou uma ponte entre fotografia, desenho, bordado e moda — áreas que também fazem parte da minha expressão artística. Minha mesa é um espaço de convergência, onde essas práticas dialogam com a cidade e com minha forma singular de enxergar o mundo.
Meu trabalho é uma investigação visual sobre tempo, memória e identidade, profundamente conectado às ruas de São Paulo. Transformo materiais descartados em narrativas visuais que celebram a diversidade urbana e a força de quem resiste. Nas colagens, combino recortes, fotografias e desenhos para criar composições que evocam tanto a nostalgia quanto a descoberta.
O bordado e a moda também são parte essencial da minha linguagem artística, pois me permitem explorar texturas, cores e formas de maneira sensível e única. O bordado traz delicadeza e paciência ao processo criativo, enquanto a moda abre espaço para pensar o corpo como suporte e extensão da arte.
Minhas obras são diálogos vivos entre o caos urbano e a ordem estética, entre o descartado e o celebrado. Mais do que imagens, são convites para enxergar o mundo através de uma perspectiva diferente, marcada pela sensibilidade, pela imperfeição e pela beleza do detalhe.












